domingo, outubro 09, 2005

A PARÁBOLA DO FAZENDEIRO E DO TRIGO

Miséria significa que as coisas não estão de acordo com seus desejos. E as coisas nunca estão de acordo com seus desejos, não podem estar. As coisas apenas vão seguindo sua natureza.
Lao Tsu chama essa natureza de Tao. O Buda chama essa natureza de Dhamma. Mahavir definiu a religião como "a natureza das coisas". Nada pode ser perfeito. O fogo é quente e a água é fresca. Um homem sábio é aquele que relaxa em ação em relação à natureza das coisas, aquele que segue a natureza das coisas.
E quando você segue a natureza das coisas, não há sombras a seu redor. Não há infelicidade. Mesmo a tristeza é luminosa nesse caso, mesmo a tristeza é bela.
Não digo que não haverá tristeza: ela virá, mas não será sua inimiga. Você será capaz de ver sua graça e será capaz de ver por que está lá e por que é necessária.


Me contaram uma antiga parábola - deve ser bem antiga, porque Deus vivia na terra nessa época.

Um dia um homem foi até ele, um velho fazendeiro, e disse: "Olhe, você pode ser Deus e pode ter criado o mundo, mas devo lhe dizer uma coisa: você não é um fazendeiro. Você nem sabe o básico sobre fazendas. Deus disse: "Qual o seu conselho?" O fazendeiro respondeu: Me dê um ano, me deixe fazer as coisas do meu jeito e você verá o que vai acontecer. Não haverá mais pobreza!"

Deus estava disposto a tentar e deu um ano para o fazendeiro. Naturalmente, este pediu apenas o melhor, só pensou no melhor: sem trovões, sem fortes ventanias, sem perigos para as plantações. Tudo era muito confortável, acolhedor, e ele estava muito feliz. O trigo estava crescendo muito! Quando ele queria sol, havia sol. Quando ele queria chuva, havia chuva, e tanta chuva quanto ele achasse necessário. Nesse ano tudo esteve correto, matematicamente correto.

Mas, quando foi feita a colheita, não havia grãos de trigo dentro. O fazendeiro ficou surpreso e perguntou a Deus o que havia acontecido, o que havia saído errado.
Deus disse: "Como não houve dificuldades nem conflitos, nenhum atrito, como você evitou tudo aquilo que podia ser ruim, o trigo se tornou impotente. É necessário que haja alguma dificuldade. As tempestades, os trovões, os raios, todos eles são necessários. Eles fazem com que a alma do trigo se mobilize."

Se você está apenas feliz, feliz e feliz, a felicidade irá perder todo o seu sentido. Será como alguém que escreve com giz branco sobre uma parede branca. Ninguém será capaz de ler o que foi escrito. É preciso escrever em um quadro-negro para que as coisas se tornem claras. A noite é tão necessária quanto o dia. E os dias de tristeza são tão essenciais quanto os de alegria. Chamo isso de compreensão.

Uma vez que você tenha entendido isso, pode relaxar: nesse relaxamento estará a entrega. Você dirá: "Seja feita a vossa vontade." Você dirá: "Faça o que achar mais correto. Se hoje forem necessárias nuvens, que venham nuvens. Não me ouça, minha compreensão é limitada. O que sei sobre a vida e seus segredos? Não me ouça! Continue agindo de acordo com a sua vontade."

Então, lentamente, quanto mais você perceber o ritmo da vida, o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, mais irá parar de pedir, de escolher.
Esse é o segredo. Viva com este segredo e veja a beleza. Viva com este segredo e subitamente você será surpreendido: como é grande a bênção da vida! Quanto é despejado sobre você a cada momento!

in Tarot da Transformação de Osho

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8 Partilhas:

Anonymous Anónimo partilhou...

Gosto de muito de parábolas,desde muito pequena tive a felicidade de mas terem contado,de me deliciar...
Pensar,é talvez uma das coisas que mais gosto de fazer...sabes que hoje quando acordei com este dia cinzento dei-me conta o quanto é verdade ...quero dizer de haver um tempo em que as coisas são exactamente assim,tal como na parábola...soube-me bem este cheiro a chuva,sorri...isto teria sido um pouco menos assim,noutro tempo...eu outra,ou menos como sou...talvez isto seja mais próximo do que seja paz,com tempo de chuva ou de sol,fluir...
um beijinho
ana

9/10/05 5:51 da tarde  
Blogger AJFRM partilhou...

olé,

faz-me lembrar um lema de vida q eu bem tento perseguir:

tudo na vida tem a importância q lhe damos. tudo é relativo.

e no relativizar é q pode estar a chave de muito...

Osho... tomei contacto com os seus escritos há +- um ano, e é incrivel como as chamadas 'verdades lapalisse' apesar de simple e óbvias... sao as mais duras de 'ver' , entender, e 'seguir'...
sobretudo segui-las...

seria tudo tao perfeito,
parece tao simples, mas no entanto...

obrigado por este bocadinho,

abraço

9/10/05 9:51 da tarde  
Anonymous Espectro #999 partilhou...

Interessante ponto de vista.
As parábolas são fruto de lições de vida, digo eu que sou pirata. Posso estar errado mas penso que seja isso.
Gostei de ler esta.
Obrigada BlueC.
Beijocas e inté.

10/10/05 8:18 da tarde  
Blogger margusta partilhou...

Bonita parábola.
Só poderemos dar o valor ás coisas se conhecermos os opostos.
Beijinhos Blue.

10/10/05 10:47 da tarde  
Blogger stillforty partilhou...

Já conhecia esta parábola.
Estou contigo nas tuas convicções, Cláudia.
Um dia cheio de luz para ti!
Beijinhos

11/10/05 2:35 da tarde  
Blogger TMara partilhou...

K beleza. A tristeza não é, de facto, nossa inimiga.`´E um tempo de pousio e reflexão sobre algo k não vai bem. Na nossa pressa é k pervertemos o sentido das coisas. Bjs de luz e :)

11/10/05 2:57 da tarde  
Blogger TMara partilhou...

K beleza. A tristeza não é, de facto, nossa inimiga.`´E um tempo de pousio e reflexão sobre algo k não vai bem. Na nossa pressa é k pervertemos o sentido das coisas. Bjs de luz e :)

11/10/05 2:57 da tarde  
Blogger peciscas partilhou...

Quem me dera conseguir viver o dia-a-dia de acordo com essas sábias mensagens!

12/10/05 6:56 da tarde  

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